
De todas as maledicências que você me fez, de todas, são todas que eu considero infiéis, desagradáveis e acima de tudo paupérrimas. Hoje sou aquilo que você me fez quando pela primeira vez você me tocou. Tocou-me de forma sombria e infiel perante aqueles que viam confiança em seus pensamentos e palavras como pessoa.
Meu ódio me fez prisioneiro de mim e quando penso em voar não tenho asas, por que você as tirou de mim.
Numa infância incrédula e cheia de altos e baixos que descobri que o amor pode se transformar em ódio, ódio doentio trancafiando-me na mente brilhante de um ser que por ser minúsculo em seus pensamentos, tornou-se naquilo que eu sei que sou.
Meu sacrifício foi doloroso. Minhas lágrimas escondidas por trás de um sorriso demarcado pelas alegrias falsas e brincadeiras cheias de segundas intenções e logo me vejo jogado sem opções e sem ninguém para que eu possa me confessar. Você me transformou. Mas eu ainda tenho esperança de um dia poder outra imagem em mim refletir. Por que eu acredito em justiça.
Fui infiel em minhas palavras e minhas atitudes me condenaram para que eu pudesse viver em uma prisão condicional, dentro de um corpo cheio de marcas de uma vida que você esmagou, que você fez a pior de todas que já passaram em suas mãos. Por que escolheu a mim?...
Não consigo encontrar explicações, não consigo encontrar saídas, nenhuma pode te perdoar, nenhuma.
Mas eu estou aqui e posso te dizer. Eu estou bem. Você foi apenas uma pessoa, e como de fato continua, mas você é responsável por esses muros que construí. Responsável pelas feridas que continuam vivas em mim.
